O desenvolvimento de um medicamento

A investigação: do alvo ao candidato a medicamento

O objetivo da Investigação é encontrar um candidato a medicamento ativo que atue num alvo biológico. O ponto de partida é identificar e caracterizar alvos terapêuticos potencialmente envolvidos numa patologia.

Uma vez identificado o alvo, uma série de testes biológicos são desenvolvidos para encontrar moléculas que o irão ativar ou inibir de maneira específica, importante e sustentável.

A ligação da molécula ativa no alvo (o “hit”) serve de protótipo para o passo seguinte da investigação. Com a modelização informática da estrutura química do “hit” e da sua interação com o alvo, é possível conceber novos derivados, que são sintetizados e testados para avaliação da sua atividade. No final de vários ciclos de otimização (que englobam vários passos como a modelização, síntese química e ensaios biológicos), o composto que apresenta uma atividade e especificidade ótima, é escolhido como candidato a medicamento a desenvolver.

O desenvolvimento: da molécula ao medicamento

  • Fase 1

Produzir a molécula selecionada (princípio ativo) em quantidades suficientes, cumprindo todos os critérios de qualidade e de pureza.

  • Fase 2

Testar a molécula candidata a medicamento de modo a avaliar os seus efeitos em termos de eficácia e segurança (estudos pré-clínicos).
Estudar a cinética do medicamento no organismo e as suas interações, nomeadamente a sua eficácia farmacológica e o eventual perfil de toxicidade.

  • Fase 3

Transformar a molécula para possibilitar a sua administração numa forma adaptada (cápsula, comprimido, solução para injeção, patch, xarope, supositório, creme, etc.) com a associação do princípio ativo a excipientes.
Continuar com identificação específica de efeitos indesejáveis e procurar otimizar as doses que serão administradas nos primeiros ensaios clínicos.

  • Fase 4

Testar (se os resultados das fases pré-clínicas forem satisfatórios) o medicamento em seres humanos, no âmbito de ensaios clínicos.

Fase I - Avaliação da tolerabilidade e da farmacocinética.
O ensaio realiza-se num pequeno número de voluntários saudáveis, onde é efetuado um aumento progressivo das doses, e realizada uma monitorização muito restrita, em unidades especializadas neste tipo de ensaios.
O objetivo é:
- avaliar os efeitos farmacodinâmicos do produto em seres humanos;
- avaliar a tolerabilidade em dose única e/ou doses repetidas, permitindo desse modo fixar o limiar de tolerância ao medicamento (dose máxima tolerada).

Fase II - Determinação da eficácia do produto em voluntários doentes
Fase IIa: realizada num pequeno grupo de doentes, permite determinar se o medicamento é ativo na doença alvo e assim, decidir se o desenvolvimento do mesmo deve prosseguir. Trata-se de uma etapa fundamental na vida do produto.
A Fase IIb permite:
- definir a dose terapêutica a utilizar, que permite alcançar a melhor eficácia com o menor número possível de efeitos indesejáveis
- continuar a avaliar os efeitos indesejáveis tal como em todas as fases do desenvolvimento.

Fase III - Avaliação da eficácia e tolerância em condições que mimetizam a prática clínica diária
Os ensaios de Fase III, realizam-se com um grande número de doentes (algumas centenas a várias dezenas de milhares) nas condições consideradas ideais de administração. Permitem estabelecer a relação benefício/risco do medicamento na indicação alvo em grande escala e a longo prazo, além de indicar as precauções de administração. Seguidamente, pode ser apresentado um processo sob forma de dossier
às Autoridades de Saúde para obter a autorização de comercialização (AIM).

Fase IV - Estudos realizados após a comercialização
Após a comercialização, os estudos de Fase IV controlam o perfil de eficácia e tolerância do produto, avaliam os seus efeitos em grupos de doentes da prática clínica real, ou doentes específicos não estudados anteriormente. Esta fase decorre em paralelo com o acompanhamento de segurança do produto pelos programas de farmacovigilância.

Como decorre o ensaio clínico? (vídeo do LEEM)